Hoje no cursinho a minha professora de redação começou sua aula dando alguns conceitos básicos sobre esta nobre arte chamada escrita. Ao falar sobre os textos de caráter narrativo, ela citou as duas pessoas do singular comumente usadas para o narrador: a 1ª e a 3ª pessoas. Na 1ª, o narrador participa da história; portanto, é narrador-personagem. Na 3ª, ele não o faz, de modo a ter total ciência de todo o enredo em seus mínimos detalhes. Mas ao fazer isso, ela excluiu uma das pessoas: a 2ª. Excluiu "você".
Você mesmo, leitor, que está neste momento lendo o que eu escrevo. Nunca ouvi falar, e portanto nunca li, uma história que tenha sido escrita em 2ª pessoa. Talvez porquê não haja, ou porquê não seja a preferência da maioria dos escritores. De fato, é um tanto complicado de imaginar: o que seria um texto escrito em 2ª pessoa? Na 1ª, estou narrando um fato que acontece comigo; na 3ª, estou descrevendo um fato que está ocorrendo à minha frente, mas sobre o qual eu não interfiro. Vejo-o, mas não ajo sobre ele. Na 2ª pessoa seria, portanto, como se eu estivesse "controlando" a personagem da história. Mas não uma personagem criada por mim, e muito menos eu mesmo. Esta personagem só poderia ser você, a pessoa que está lendo o texto. O narrador, portanto, criaria uma história, com lugar e tempo definidos (tempo é opcional), e faria com que ela interagisse com o leitor de modo a fazê-lo entrar na história e interferir com ela. "Mas como isso é possível, já que as histórias são escritas e não se pode alterá-las?", você pode perguntar. Mas será que não se pode mesmo? Vamos tentar?
Abaixo escrevi uma pequena narrativa [supostamente] em 2ª pessoa. O espaço e tempo são definidos ao decorrer da história, e a personagem não possui nome ou características fixas, pois trata-se de você, leitor. Tentarei fazer com que você penetre na história e, baseado em pontos mutáveis da mesma, faça-a moldar-se ao seu gosto. Portanto, ajude-me e use a imaginação, pois sem ela isso não será possível. E não ligue pras várias e irritantes repetições do pronome "você".
"Anoitece. Você se encontra agora envolto em uma névoa densa e escura. Um brilho aperolado, que qualquer astro senão a lua seria incapaz de emitir, é sua única fonte de luz para guiar-lhe o caminho. Questione-se. 'Onde estou?'. Nobre pergunta-padrão da curiosidade humana. Ao olhar ao redor, você vê árvores com galhos já um tanto apodrecidos pela umidade do local. No chão, a grama lamacenta indica a presença de charcos próximos. Os coaxos de sapos e os zumbidos das libélulas disputam espaço em seus ouvidos, mas perdem para o ensurdecedor silêncio da noite. Suas narinas, no entanto, não têm problemas em identificar o cheiro de mofo e madeira encharcada. É isso, seus sentidos não podem mais enganá-lo: você já sabe onde está.
Continue andando. De repente, o silêncio da floresta é cortado pelo barulho mais horrível que você já ouviu na vida. Sim, de fato você já ouviu este barulho antes. Talvez ele o assuste, mas também o intriga; você resolve ir atrás da fonte deste ruído. Você agora corre através de folhas secas e poças de lodo, até encontrar uma pequena cabana abandonada no meio do nada. Questione-se. Que perguntas faria a si mesmo a respeito disso? Não importa, pois você não terá as respostas. Ou pelo menos não do lado de fora da cabana; é então que resolve adentrá-la.
Você chega perto da casa e a observa. Seu estado, sua cor. A porta, com a maçaneta dependurada, logo é aberta. O cheiro de fungos dos mais variados tipos e idades o asfixia; o ar aqui certamente não é puro. Mas depois de um tempo, o ar de fora mistura-se com o de dentro e você se acostuma. Tirando a luz do luar, não há nenhuma fonte de luz próxima, e você tem dificuldades para enxergar o interior da residência. Passados alguns minutos, no entanto, suas pupilas se dilatam e você adquire esta capacidade. Olhe ao redor. Nas paredes laterais à porta, desenhos infantis que lhe são muito familiares. Na mesa central da sala há um vaso de flores já mortas, e uma série de silhuetas retangulares são cobertas por um pano de sua cor favorita. Você caminha até ela e retira o tecido; portarretratos são revelados. As fotos, já desgastas pela umidade e poeira, são pouco visíveis, mas você as reconhece mesmo assim. Já as viu na casa em que esteve no dia mais feliz da sua vida. E os desenhos? Você os olha novamente; estremece. São idênticos à sua grafia. Sente um súbito desejo de ir embora, mas no pequeno cômodo, que é o único da casa, há ainda um móvel para ver: um grande armário no canto da sala.
Você reluta. Questione-se. 'Que pode haver lá dentro?' Você sabe que essas e outras perguntas só serão respondidas quando você o abrir. Tomado por um misto de receio e curiosidade, você caminha lentamente em direção a ele. As tábuas soltas da casa rangem; o ar se agita; a porta atrás de você se fecha; o cheiro de mofo invade-lhe novamente as narinas e o sufoca. Mas você já não liga. Está tomado pela instigação, pela vontade de satisfazer sua mais profunda ânsia de saber, que já levou tantos e tantos homens a glórias e também a infortúnias. Seus olhos já se acostumaram com a ausência de luminosidade; seus pulmões não necessitam mais de ar. Seu único combustível é a sede de conhecimento. Suas mãos, trêmulas, seguram os fechos da porta do armário, prontas para abri-lo. Mas isso não é necessário.
Subitamente, as janelas e a porta da casa se abrem. Vagarosamente, e então, de supetão, as portas do móvel se abrem, e lá está o que você tanto quis ver. A coisa mais assustadora que jamais lhe ocorreu imaginar, mas que parece estranhamente familiar. Questionar-se? Não há tempo; o pavor já tomou conta de você. Suas suprarrenais já injetaram tamanha quantidade de adrenalina em suas veias que a alternativa a sair correndo é ter um ataque cardíaco ali mesmo. E é o que faz. Por poucos segundos você viu aquela coisa, mas foram o suficiente para que ela se fixasse em sua mente. E à medida que você se afasta daquele local, deixando sapos comedores de libélulas atolados nos charcos, a casa vai tranquilamente voltando ao seu normal; portas fechadas, portarretratos sobre o pano tingido, o ar nitroso. A lua é encoberta por nuvens espessas, privando-o da certeza do caminho que percorre. Mas você não liga. Só quer se afastar o máximo possível daquele local."
Vê a dificuldade que é criar um texto desse tipo? Por mais que eu tenha tentado mergulhá-lo na história, é quase impossível não controlá-la nem que seja um pouco. Mas a essência acho que consegui. Pontos como o local onde está, a aparência da casa, das roupas que você está vestindo, dos desenhos na parede, da cor do pano, das fotos nos portarretratos, do aspecto do "barulho horrível", e o mais importante, da coisa "mais assustadora que já viu na vida", são cruciais pra história, e ao mesmo tempo subjetivos, pois não são descritos pelo autor, forçando o leitor a imaginá-los e defini-los. Em situações normais, por exemplo, seria preciso explicar o que foi "o dia mais feliz da sua vida". Mas como se trata de você, só você mesmo sabe ;)
Pra mim, uma narrativa em 2ª pessoa seria mais ou menos assim. Achei divertido. E você?
Um abraço, e até a próxima!
terça-feira, 20 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
As várias faces do humor brasileiro e sua história
No último sábado, dia 10 de abril, estreou na Record o "Legendários", um programa humorístico que promete concorrer com o Zorra Total, da Globo, exibido no mesmo horário.
Durante o programa, o Twitter do mesmo ficou exibindo as várias mensagens enviadas por pessoas ao redor do país elogiando os quadros e atuações dos seus participantes. Basicamente, a Record trouxe diversos personagens da MTV e juntou todos num programa só. É o caso de Marcos Mion, Mionzinho, os integrantes do Hermes e Renato e João Gordo.
Logo no início do programa - e isso foi sendo repetido pelo Mion ao decorrer dele -, foi dito que ele pretendia uma inovação na TV brasileira, sem as mesmices de se colocar mulheres seminuas rebolando na tela ou quadros com apelação sexual. Ótimo, né?
Bom, não foi o que aconteceu.
Foi realmente um sarcasmo muito bem empregado do Mion, pois a primeira coisa que fizeram questão de mostrar foram as mulheres de biquíni e o quadro com temas super interessantes, como impotência sexual e ejaculação precoce.
Sinceramente, eu não vi graça nenhuma naquele programa. Não teve inovação alguma. Aliás, até quadros do antigo programa do Mion eles aproveitaram, como a dublagem de músicas feitas com o Mionzinho. As piadas são velhas e forçadas.
E é por isso que é hora de falar sério. Não estou aqui simplesmente pra criticar um e defender outro, e sim pra analisar os nossos atuais programas humorísticos.
A começar pelos mais antigos, como Casseta e Planeta, Zorra Total e Praça é Nossa. O primeiro sempre baseou suas piadas em apelos sexuais ou políticos, mas hoje está ainda pior, reciclando piadas já recicladas; o segundo, a mesma coisa; o terceiro, vez ou outra, graças à simpatia do Carlos Alberto de Nóbrega, produz algo decente. Mas no geral não empolga.
Pânico na TV, programa idolatrado por muitos acéfalos e incultos, é um típico exemplo do que faz sucesso no Brasil: totalmente baixo, com quadros como mostrar mulheres de biquíni na praia, fazer um cara gordo ser torturado pra que todos riam dele ou fazer pessoas se passarem por idiotas em rede nacional. Uma vergonha, como diria o provavelmente expectador desse programa, Boris Casoy.
Na verdade, até os veteranos do humor no Brasil andam se saindo melhor (ou menos pior) que os atuais. O Show do Tom, por exemplo, conta com duas figuraças do nosso país: Tom Cavalcante e Tiririca. Até a nossa geração teve a oportunidade de ver Tom Cavalcante quando era menor. Ao lado de Chico Anísio, Golias e Nair Belo é um dos maiores gênios nessa área, indiscutivelmente. E o Tiririca, apesar de usar as mesmas piadas de sempre, tem crédito, pois tem um jeito muito engraçado.
CQC, é, de fato, um dos poucos programas que se salva dentre os humorísticos. Claro que ele não é perfeito. Por vezes faz um humor de mau gosto, como procurar humilhar pessoas (exemplo: os políticos, que apesar de safados, ainda assim são pessoas) para produzir risadas. Isso de fato não é legal. Aliás, isso é da própria personalidade do Rafinha Bastos, já perceberam? Sempre que tem a oportunidade, ele fala mal de alguém. E se acha hilário por isso. Mas no geral, as piadas do programa são inteligentes, voltadas a pessoas com um mínimo de conhecimento cultural e consciência social. Dizer que Legendários ou Pânico será algum dia melhor que esse programa é uma tremenda idiotice.
Mas apesar de ser o melhor, o CQC não conta com o melhor humorista em exercício atualmente no nosso país: Marcelo Adnet. Quem assiste os programas do qual ele participa na MTV (sobreviveu às garras da Record, ufa!) sabe a qualidade que ele tem. O carisma, o jeito com as palavras, a capacidade de improvisação, e mesmo o talento e cultura que ele possui são inigualáveis. Qualquer programa que tenha ele já é promessa de sucesso. Tem ou terá, sem dúvida, seu lugar dentre os grandes do humor nacional.
Portanto, vamos mostrar que nós, brasileiros, não somos como esses BABACAS pensam que somos: burros, incultos e esquecidos. Façamos por onde para melhorar o nível dos nosso programas humorísticos, e não ficar assistindo porcaria na TV.
Um abraço e até a próxima!
Durante o programa, o Twitter do mesmo ficou exibindo as várias mensagens enviadas por pessoas ao redor do país elogiando os quadros e atuações dos seus participantes. Basicamente, a Record trouxe diversos personagens da MTV e juntou todos num programa só. É o caso de Marcos Mion, Mionzinho, os integrantes do Hermes e Renato e João Gordo.
Logo no início do programa - e isso foi sendo repetido pelo Mion ao decorrer dele -, foi dito que ele pretendia uma inovação na TV brasileira, sem as mesmices de se colocar mulheres seminuas rebolando na tela ou quadros com apelação sexual. Ótimo, né?
Bom, não foi o que aconteceu.
Foi realmente um sarcasmo muito bem empregado do Mion, pois a primeira coisa que fizeram questão de mostrar foram as mulheres de biquíni e o quadro com temas super interessantes, como impotência sexual e ejaculação precoce.
Sinceramente, eu não vi graça nenhuma naquele programa. Não teve inovação alguma. Aliás, até quadros do antigo programa do Mion eles aproveitaram, como a dublagem de músicas feitas com o Mionzinho. As piadas são velhas e forçadas.
E é por isso que é hora de falar sério. Não estou aqui simplesmente pra criticar um e defender outro, e sim pra analisar os nossos atuais programas humorísticos.
A começar pelos mais antigos, como Casseta e Planeta, Zorra Total e Praça é Nossa. O primeiro sempre baseou suas piadas em apelos sexuais ou políticos, mas hoje está ainda pior, reciclando piadas já recicladas; o segundo, a mesma coisa; o terceiro, vez ou outra, graças à simpatia do Carlos Alberto de Nóbrega, produz algo decente. Mas no geral não empolga.
Pânico na TV, programa idolatrado por muitos acéfalos e incultos, é um típico exemplo do que faz sucesso no Brasil: totalmente baixo, com quadros como mostrar mulheres de biquíni na praia, fazer um cara gordo ser torturado pra que todos riam dele ou fazer pessoas se passarem por idiotas em rede nacional. Uma vergonha, como diria o provavelmente expectador desse programa, Boris Casoy.
Na verdade, até os veteranos do humor no Brasil andam se saindo melhor (ou menos pior) que os atuais. O Show do Tom, por exemplo, conta com duas figuraças do nosso país: Tom Cavalcante e Tiririca. Até a nossa geração teve a oportunidade de ver Tom Cavalcante quando era menor. Ao lado de Chico Anísio, Golias e Nair Belo é um dos maiores gênios nessa área, indiscutivelmente. E o Tiririca, apesar de usar as mesmas piadas de sempre, tem crédito, pois tem um jeito muito engraçado.
CQC, é, de fato, um dos poucos programas que se salva dentre os humorísticos. Claro que ele não é perfeito. Por vezes faz um humor de mau gosto, como procurar humilhar pessoas (exemplo: os políticos, que apesar de safados, ainda assim são pessoas) para produzir risadas. Isso de fato não é legal. Aliás, isso é da própria personalidade do Rafinha Bastos, já perceberam? Sempre que tem a oportunidade, ele fala mal de alguém. E se acha hilário por isso. Mas no geral, as piadas do programa são inteligentes, voltadas a pessoas com um mínimo de conhecimento cultural e consciência social. Dizer que Legendários ou Pânico será algum dia melhor que esse programa é uma tremenda idiotice.
Mas apesar de ser o melhor, o CQC não conta com o melhor humorista em exercício atualmente no nosso país: Marcelo Adnet. Quem assiste os programas do qual ele participa na MTV (sobreviveu às garras da Record, ufa!) sabe a qualidade que ele tem. O carisma, o jeito com as palavras, a capacidade de improvisação, e mesmo o talento e cultura que ele possui são inigualáveis. Qualquer programa que tenha ele já é promessa de sucesso. Tem ou terá, sem dúvida, seu lugar dentre os grandes do humor nacional.
Portanto, vamos mostrar que nós, brasileiros, não somos como esses BABACAS pensam que somos: burros, incultos e esquecidos. Façamos por onde para melhorar o nível dos nosso programas humorísticos, e não ficar assistindo porcaria na TV.
Um abraço e até a próxima!
segunda-feira, 22 de março de 2010
The Notting Hillbillies e o Country/Soft Rock
Venho aqui postar um CD de uma banda que acabei de conhecer e ouvir: The Notting Hillbillies!
Na realidade um projeto realizado no fim dos anos 80 por nada mais nada menos que Mark Knopfler, guitarrista, vocalista e líder dos Dire Straits, The Notting Hillbillies lançou seu primeiro e único álbum, "Missing... Presumed Having a Good Time" em 1990. Os outros integrantes são Guy Fletcher (teclado e vocais) Steve Phillips (guitarra e vocais), Brendan Croker (idem), Ed Bicknell (bateria), Marcus Cliffe (baixo), Chris White (sax) e Paul Franklin (Pedal Steel Guitar, uma espécie de guitarra em que se usa um bastão para tocar ao invés dos dedos. Presente na maravilhosa composição "Your Latest Trick", do próprio Dire Straits).
Por algum motivo, nem todos os membros da banda aparecem na capa... Mark é o 2º da esquerda pra direita.
Seguindo a linha do Country/Soft Rock, ao estilo dos Eagles, The Notting Hillbillies conseguiu, sob a maestral produção de Knopfler e Fletcher, conciliar uma das melhores obras do gênero. Com músicas ora agitadas, ora mais calmas, mas sempre com a qualidade indiscutível dos diversos instrumentos que a banda usa. Destaque para a guitarra e o teclado.
Dou grande crédito às 4 músicas que considero as melhores, as 5 estrelas do disco: Bewildered, Your Own Sweet Way, Run me Down e Feel Like Going Home. A primeira lembra muito as músicas de Toy Story; a segunda é cantada por Knopfler e tem arranjos de guitarra geniais no final; a terceira tem um estilo bem Country, quase pendendo para o Twist, e tem arranjos de teclado geniais; por fim, Feel Like Going Home tem uma melodia muito suave, agradável e uma excelente atuação dos guitarristas da banda.
A banda nunca mais lançou álbuns, mas vez em quando se reúne para fazer shows pela Europa. Mark Knopfler na ativa!
Download: FilesTube
Excelente álbum, ganhou um 4 estrelas merecidíssimo do chato de galochas AllMusic. Vale a pena baixar e ouvir!
Um abraço, e até a próxima!
Na realidade um projeto realizado no fim dos anos 80 por nada mais nada menos que Mark Knopfler, guitarrista, vocalista e líder dos Dire Straits, The Notting Hillbillies lançou seu primeiro e único álbum, "Missing... Presumed Having a Good Time" em 1990. Os outros integrantes são Guy Fletcher (teclado e vocais) Steve Phillips (guitarra e vocais), Brendan Croker (idem), Ed Bicknell (bateria), Marcus Cliffe (baixo), Chris White (sax) e Paul Franklin (Pedal Steel Guitar, uma espécie de guitarra em que se usa um bastão para tocar ao invés dos dedos. Presente na maravilhosa composição "Your Latest Trick", do próprio Dire Straits).
Seguindo a linha do Country/Soft Rock, ao estilo dos Eagles, The Notting Hillbillies conseguiu, sob a maestral produção de Knopfler e Fletcher, conciliar uma das melhores obras do gênero. Com músicas ora agitadas, ora mais calmas, mas sempre com a qualidade indiscutível dos diversos instrumentos que a banda usa. Destaque para a guitarra e o teclado.
Dou grande crédito às 4 músicas que considero as melhores, as 5 estrelas do disco: Bewildered, Your Own Sweet Way, Run me Down e Feel Like Going Home. A primeira lembra muito as músicas de Toy Story; a segunda é cantada por Knopfler e tem arranjos de guitarra geniais no final; a terceira tem um estilo bem Country, quase pendendo para o Twist, e tem arranjos de teclado geniais; por fim, Feel Like Going Home tem uma melodia muito suave, agradável e uma excelente atuação dos guitarristas da banda.
A banda nunca mais lançou álbuns, mas vez em quando se reúne para fazer shows pela Europa. Mark Knopfler na ativa!
Download: FilesTube
Excelente álbum, ganhou um 4 estrelas merecidíssimo do chato de galochas AllMusic. Vale a pena baixar e ouvir!
Um abraço, e até a próxima!
sábado, 20 de março de 2010
Emoção, dança e MUITA alegria!
Se eu tivesse de dar um título à festa que tivemos hoje, seria esse. Apesar de que ele não exprime, nem ao mínimo, tudo o que sentimos hoje. Muita gente alegre, dançando, alguns chorando (de alegria, emoção, etc), muitas cores, luzes, sons, tatos, gostos, sentimentos... Tudo isso misturado, tudo num turbilhão de tudo que o corpo humano é capaz de sentir - e talvez até um pouco além. Nunca esqueceremos essa noite, que com certeza, será conhecida pra sempre como "aquela que não acabou". Jamais me senti mais alegre, solto e à vontade do que ali, junto dos meus amigos, numa pista de dança (e olha que nem dançar eu sei!). Sem dúvida, memorável. E mais do que isso: inesquecível.
Sem mais palavras. Só precisava descrever isso de alguma forma, compartilhar, escrever, pôr pra fora, sei lá. Ainda que ninguém leia esse blog (xD), eu precisava fazer isso. O êxtase dura até agora, e olha que já são 23 horas sem dormir.
Única descrição que eu posso dar: indescritível!
Um forte abraço a todos vocês, meus amigos, companheiros, colegas, seja o que for, por me proporcionarem esse momento! Amo-os muito mesmo!
Sem mais palavras. Só precisava descrever isso de alguma forma, compartilhar, escrever, pôr pra fora, sei lá. Ainda que ninguém leia esse blog (xD), eu precisava fazer isso. O êxtase dura até agora, e olha que já são 23 horas sem dormir.
Única descrição que eu posso dar: indescritível!
Um forte abraço a todos vocês, meus amigos, companheiros, colegas, seja o que for, por me proporcionarem esse momento! Amo-os muito mesmo!
sábado, 13 de março de 2010
O cinema e o terror psicológico
Ultimamente, megaproduções milionárias, cheias de efeitos especiais, e, mais recentemente, em 3D, têm sido a grande jogada dos produtores de filmes ao redor do globo para adquirir grande público e fazer "aquela" grana fácil. Os filmes que prezam mais pelo roteiro, considerados "intelectuais", sempre estiveram à margem desse sucesso, seja porquê as pessoas não se interessam por eles, seja porquê não os compreendem.
Mas dessa vez, depois do grande sucesso de Avatar, chega às telonas uma dessas pérolas do cinema mundial, estrelado por Leonardo de Caprio (aliás, um ator que construiu sua carreira em cima dessas megaproduções): Ilha do Medo.
O filme seria lançado ano passado, mas os produtores acharam que não seria uma boa ideia disputar bilheteria com Avatar. Sábia decisão...
Sem muitos efeitos especiais, com um roteiro fantástico baseado no mais puro e belo terror psicológico, ao melhor estilo Edgar Allan Poe, e uma bela atuação do elenco que o compõe, Ilha do Medo, do diretor Martin Scorsese, se passa nos anos 50, e conta a história de Teddy Daniels, um investigador federal que é chamado para averiguar a fuga de uma paciente de um manicômio. Parece simples? Acontece que o manicômio fica numa ilha no meio do mar, e sua segurança é a mais reforçada do país, pois lá estão os tipos mais perigosos de doentes mentais. O único jeito de sair ou entrar lá é através de uma balsa que sai pontualmente em algumas manhãs. Teddy e seu parceiro, Chuck, se deparam com um mistério envolvente, sombras do passado de Teddy (sua mulher morta num incêndio, e o fato de ter servido aos EUA na 2ª Guerra Mundial) e muito suspense. O espectador logo se percebe tomado pelo clima de mistério, conspiração e terror psicológico contra a mente do personagem principal - e de si próprio, já que tem que tomar suas próprias conclusões quando os fatos lhe são apresentados.
Com um desfecho totalmente inusitado e apavorante, Ilha do Medo sem dúvida merece um lugar nos registros da história como um dos melhores filmes já produzidos. Mérito de Martin, dos roteiristas e de todo o elenco, em especial aqueles que interpretam os doentes mentais, por uma excepcional e convincente apresentação.
Ilha do Medo estreou essa sexta, dia 12 de março, e deve ficar umas duas semanas em cartaz. Portanto, não perca sua chance de apreciar esta verdadeira obra de arte em uma tela de 250 polegadas. Chega de tanto Avatar e Crepúsculo, né?!
Um abraço, e até a próxima!
Mas dessa vez, depois do grande sucesso de Avatar, chega às telonas uma dessas pérolas do cinema mundial, estrelado por Leonardo de Caprio (aliás, um ator que construiu sua carreira em cima dessas megaproduções): Ilha do Medo.
Sem muitos efeitos especiais, com um roteiro fantástico baseado no mais puro e belo terror psicológico, ao melhor estilo Edgar Allan Poe, e uma bela atuação do elenco que o compõe, Ilha do Medo, do diretor Martin Scorsese, se passa nos anos 50, e conta a história de Teddy Daniels, um investigador federal que é chamado para averiguar a fuga de uma paciente de um manicômio. Parece simples? Acontece que o manicômio fica numa ilha no meio do mar, e sua segurança é a mais reforçada do país, pois lá estão os tipos mais perigosos de doentes mentais. O único jeito de sair ou entrar lá é através de uma balsa que sai pontualmente em algumas manhãs. Teddy e seu parceiro, Chuck, se deparam com um mistério envolvente, sombras do passado de Teddy (sua mulher morta num incêndio, e o fato de ter servido aos EUA na 2ª Guerra Mundial) e muito suspense. O espectador logo se percebe tomado pelo clima de mistério, conspiração e terror psicológico contra a mente do personagem principal - e de si próprio, já que tem que tomar suas próprias conclusões quando os fatos lhe são apresentados.
Com um desfecho totalmente inusitado e apavorante, Ilha do Medo sem dúvida merece um lugar nos registros da história como um dos melhores filmes já produzidos. Mérito de Martin, dos roteiristas e de todo o elenco, em especial aqueles que interpretam os doentes mentais, por uma excepcional e convincente apresentação.
Ilha do Medo estreou essa sexta, dia 12 de março, e deve ficar umas duas semanas em cartaz. Portanto, não perca sua chance de apreciar esta verdadeira obra de arte em uma tela de 250 polegadas. Chega de tanto Avatar e Crepúsculo, né?!
Um abraço, e até a próxima!
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
The Yellow Moon Band e o Rock psicodélico inglês
Olá, pessoal! Depois de um bom tempo sem dar as caras por aqui, resolvi passar pra postar álbuns de uma banda que eu "descobri" ano passado: The Yellow Moon Band.
Ela é muito recente e só lançou um CD até agora, no início do ano passado, que segue a linha do rock psicodélico, apesar de ser um pouco mais agitado e menos misterioso que o "verdadeiro" dito cujo, imortalizado em álbuns como The Division Bell, do Pink Floyd. É praticamente prog rock também.
A banda foi formada em 2007, na Inglaterra, pelos músicos Mathew Priest (Bateria), Rudy Carroll (Guitarra e Mandolin), Danny Hagan (Baixo), Jo Bartlett (Guitarra) e Ali Byworth (Bateria também). Seu primeiro - e único até aqui - álbum foi lançado em janeiro de 2009, entitulado Travels Into Several Remote Nations of the World (Viagens Às Nações Mais Remotas do Mundo, numa tradução livre), e foi baseado no subtítulo da obra As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift.
Ela é muito recente e só lançou um CD até agora, no início do ano passado, que segue a linha do rock psicodélico, apesar de ser um pouco mais agitado e menos misterioso que o "verdadeiro" dito cujo, imortalizado em álbuns como The Division Bell, do Pink Floyd. É praticamente prog rock também.
A banda foi formada em 2007, na Inglaterra, pelos músicos Mathew Priest (Bateria), Rudy Carroll (Guitarra e Mandolin), Danny Hagan (Baixo), Jo Bartlett (Guitarra) e Ali Byworth (Bateria também). Seu primeiro - e único até aqui - álbum foi lançado em janeiro de 2009, entitulado Travels Into Several Remote Nations of the World (Viagens Às Nações Mais Remotas do Mundo, numa tradução livre), e foi baseado no subtítulo da obra As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift.
TiSRNotW - até a sigla é grande!
O disco conta com músicas muito bem arranjadas, com guitarras e baterias muito bem tocadas e um ótimo uso do Mandolin. O álbum é praticamente instrumental, a não ser por um simplório vocal (Pa pa pa ra pa pa pa ra ra ra ra pa....) na primeira música, Polaris, e dois ou três parágrafos de letra na segunda, Chimney, que é cantado por todos, ou quase todos, os membros da banda.
Na minha modesta opinião, as duas primeiras músicas são as melhores. As outras são muito boas também, mas as duas primeiras, como "comissão de frente" do CD, são bem animadas e muito bem executadas. Vale a pena baixar e conferir! Tenho certeza que depois de ouvi-lo ficarão ansiosos pelo próximo álbum dessa recente, porém ótima, banda.
Infelizmente não encontrei nenhum link confiável para baixar o CD de uma vez só. Mas abaixo segue o link para download das 7, separadas. Talvez achem até melhor, pois podem baixar as duas primeiras e ver de cara a qualidade da banda.
4Shared
Segue a ordem das faixas para vocês arrumarem depois:
Na minha modesta opinião, as duas primeiras músicas são as melhores. As outras são muito boas também, mas as duas primeiras, como "comissão de frente" do CD, são bem animadas e muito bem executadas. Vale a pena baixar e conferir! Tenho certeza que depois de ouvi-lo ficarão ansiosos pelo próximo álbum dessa recente, porém ótima, banda.
Infelizmente não encontrei nenhum link confiável para baixar o CD de uma vez só. Mas abaixo segue o link para download das 7, separadas. Talvez achem até melhor, pois podem baixar as duas primeiras e ver de cara a qualidade da banda.
4Shared
Segue a ordem das faixas para vocês arrumarem depois:
- Polaris
- Chimney
- Entangled
- Maybach
- Focussed
- Domini
- Lunadelica
terça-feira, 10 de novembro de 2009
O pai dos pobres e a Lei de Contravenções Penais
Todos aqueles que são espectadores assíduos do programa CQC, da Rede Bandeirantes, devem ter assistido ao episódio de ontem, do dia 9 de novembro. Aqueles que não assistiram, situar-los-ei: uma das matérias protagonizada pelo repórter Danilo Gentili foi sobre uma lei "ressuscitada" pela cidade de Assis, em SP, sobre pessoas que dedicam-se, nas ruas, ao secular hábito do ócio. A notícia acabou sendo não só do CQC como de vários outros veículos jornalísticos do país.
Manchete no jornal local sobre a lei, intitulada "Tolerância Zero" (clique na imagem para vê-la maior)
Vamos por partes: a lei a que me refiro é o artigo nº 59 do capítulo VII da Lei de Contravenções Penais do Brasil, instituída no país em 1941 pelo Excelentíssimo Sr. Getúlio Vargas, então presidente da nação. Em suma, é uma lista de todas as ações consideradas indevidas, infratoras ou contrárias à lei brasileira. Acontece que a Constituição que usamos é de 1988, e entre as duas existe uma série de contradições que tornam muitas dessas Contravenções totalmente incabíveis - como é o caso da que falamos.
Transcrevo-a aqui:
Art. 59 - Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover a própria subsistência mediante ocupação ilícita:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses.
Parágrafo único - A aquisição superveniente de renda, que assegure ao condenado meios bastantes de subsistência, extingue a pena.
Trocando em miúdos, a lei diz que qualquer pessoa em condições de trabalho que for pega nas ruas fazendo absolutamente nada será detida, em pena de 15 dias a 3 meses. Aqueles que obtêm dinheiro de formas ilícitas (como, por exemplo, jogos de azar) também estão enquadrados. Note que o artigo nada fala sobre "15 dias de aviso prévio ao infrator", como foi dito pelo delegado da seção onde Gentili foi autuado.
Esta lei, datada de 1941, nada mais era, na época, uma forma de Getúlio Vargas garantir ao país mão de obra suficiente para o desenvolvimento industrial da nação, e ainda de quebra impedir que os chamados "vagabundos" ficassem pelas ruas, cometendo possíveis delitos.
Se esse parágrafo já te pareceu absurdo mesmo naquela época, imagine agora. Depois de 20 anos de ditadura, o brasileiro abomina, tem trauma, de qualquer tipo de limitação de um dos mais básicos Direitos Humanos, garantido por leis internacionais: a do livre arbítrio. É dito, claramente, que toda pessoa tem o direito à liberdade, ou seja, o direito de ir e vir, de qualquer lugar a qualquer lugar, na hora em que bem entender. O fato de um mendigo beber deitado em uma praça não fere nenhum outro artigo da Constituição. E a Constituição éStephanny absoluta.
Fora que isso é bem uma hipocrisia. "Qualquer pessoa apta a trabalhar". Mas apta em que sentido? Fisicamente? O mundo evoluiu, a tecnologia avançou, o mercado de trabalho absorveu as máquinas e descartou mão-de-obra não-especializada. Como o governo espera que pessoas sem instrução consigam um emprego num estalo de dedos? Se em vez de correr atrás de cidadãos desfavorecidos pela sociedade a polícia se ocupasse com verdadeiros criminosos, e o poder público se preocupasse em gerar emprego e renda a essas pessoas, aí sim teríamos uma queda na criminalidade. Não só lá em Assis, cidade de São Paulo, mais rico e bem desenvolvido estado do Brasil. Não só lá no sudeste, onde tudo é lindo, maravilhoso, avançado e civilizado. Mas também aqui, no norte, onde mato e assassinatos à pexeira são aspectos cotidianos dastribos cidades. Também aqui no Pará, onde a falta de preocupação com a saúde pública nos leva a um surto de doença de Chagas em pleno século XXI - e o IDH descendo...
E pra finalizar, vejam que interessante isso que eu achei no Código de Direito Penal brasileiro, capítulo VI ("Da Liberdade Provisóra, com ou sem Fiança"), artigo 323:
Artigo 323 - Não será concedida fiança:
(...)
II - nas contravenções tipificadas nos arts. 59 e 60 da Lei das Contravenções Penais
(...)
O que até faz certo sentido, se não uma redundância, já que um "vadio" não teria dinheiro algum pra pagar a fiança... Ah, e a saber:
Art. 60 - Mendigar, por ociosidade ou cupidez:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses.
Parágrafo único - Aumenta-se a pena de um sexto a um terço, se a contravenção é praticada:
a) de modo vexatório, ameaçador ou fraudulento;
b) mediante simulação de moléstia ou deformidade;
c) em companhia de alienado ou de menor de 18 (dezoito) anos.
Pois é. E dá-lhe nos mendigos. Vai que essa moda pega? O pessoal da praça da República que se cuide!
Procurando bem, até que essa LCP tem umas coisinhas legais. O artigo 65º, por exemplo, é bem útil. Dava pra ter enquadrado minha irmã nele umas trocentas vezes.
Esperando não ter esquecido nada, despeço-me. E perdoem-me se minha abordagem de ideias tiver ficado um pouco confusa. É uma hora da manhã, muita informação pra dissertar. Coesão vai pro espaço.
Abraço, e até a próxima!
Perturbação da tranqüilidade
Art. 65 - Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranqüilidade, por acinte ou por motivo reprovável:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 2 (dois) meses, ou multa.
Vamos por partes: a lei a que me refiro é o artigo nº 59 do capítulo VII da Lei de Contravenções Penais do Brasil, instituída no país em 1941 pelo Excelentíssimo Sr. Getúlio Vargas, então presidente da nação. Em suma, é uma lista de todas as ações consideradas indevidas, infratoras ou contrárias à lei brasileira. Acontece que a Constituição que usamos é de 1988, e entre as duas existe uma série de contradições que tornam muitas dessas Contravenções totalmente incabíveis - como é o caso da que falamos.
Transcrevo-a aqui:
Art. 59 - Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover a própria subsistência mediante ocupação ilícita:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses.
Parágrafo único - A aquisição superveniente de renda, que assegure ao condenado meios bastantes de subsistência, extingue a pena.
Trocando em miúdos, a lei diz que qualquer pessoa em condições de trabalho que for pega nas ruas fazendo absolutamente nada será detida, em pena de 15 dias a 3 meses. Aqueles que obtêm dinheiro de formas ilícitas (como, por exemplo, jogos de azar) também estão enquadrados. Note que o artigo nada fala sobre "15 dias de aviso prévio ao infrator", como foi dito pelo delegado da seção onde Gentili foi autuado.
Esta lei, datada de 1941, nada mais era, na época, uma forma de Getúlio Vargas garantir ao país mão de obra suficiente para o desenvolvimento industrial da nação, e ainda de quebra impedir que os chamados "vagabundos" ficassem pelas ruas, cometendo possíveis delitos.
Se esse parágrafo já te pareceu absurdo mesmo naquela época, imagine agora. Depois de 20 anos de ditadura, o brasileiro abomina, tem trauma, de qualquer tipo de limitação de um dos mais básicos Direitos Humanos, garantido por leis internacionais: a do livre arbítrio. É dito, claramente, que toda pessoa tem o direito à liberdade, ou seja, o direito de ir e vir, de qualquer lugar a qualquer lugar, na hora em que bem entender. O fato de um mendigo beber deitado em uma praça não fere nenhum outro artigo da Constituição. E a Constituição é
Fora que isso é bem uma hipocrisia. "Qualquer pessoa apta a trabalhar". Mas apta em que sentido? Fisicamente? O mundo evoluiu, a tecnologia avançou, o mercado de trabalho absorveu as máquinas e descartou mão-de-obra não-especializada. Como o governo espera que pessoas sem instrução consigam um emprego num estalo de dedos? Se em vez de correr atrás de cidadãos desfavorecidos pela sociedade a polícia se ocupasse com verdadeiros criminosos, e o poder público se preocupasse em gerar emprego e renda a essas pessoas, aí sim teríamos uma queda na criminalidade. Não só lá em Assis, cidade de São Paulo, mais rico e bem desenvolvido estado do Brasil. Não só lá no sudeste, onde tudo é lindo, maravilhoso, avançado e civilizado. Mas também aqui, no norte, onde mato e assassinatos à pexeira são aspectos cotidianos das
E pra finalizar, vejam que interessante isso que eu achei no Código de Direito Penal brasileiro, capítulo VI ("Da Liberdade Provisóra, com ou sem Fiança"), artigo 323:
Artigo 323 - Não será concedida fiança:
(...)
II - nas contravenções tipificadas nos arts. 59 e 60 da Lei das Contravenções Penais
(...)
O que até faz certo sentido, se não uma redundância, já que um "vadio" não teria dinheiro algum pra pagar a fiança... Ah, e a saber:
Art. 60 - Mendigar, por ociosidade ou cupidez:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses.
Parágrafo único - Aumenta-se a pena de um sexto a um terço, se a contravenção é praticada:
a) de modo vexatório, ameaçador ou fraudulento;
b) mediante simulação de moléstia ou deformidade;
c) em companhia de alienado ou de menor de 18 (dezoito) anos.
Pois é. E dá-lhe nos mendigos. Vai que essa moda pega? O pessoal da praça da República que se cuide!
Procurando bem, até que essa LCP tem umas coisinhas legais. O artigo 65º, por exemplo, é bem útil. Dava pra ter enquadrado minha irmã nele umas trocentas vezes.
Esperando não ter esquecido nada, despeço-me. E perdoem-me se minha abordagem de ideias tiver ficado um pouco confusa. É uma hora da manhã, muita informação pra dissertar. Coesão vai pro espaço.
Abraço, e até a próxima!
Perturbação da tranqüilidade
Art. 65 - Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranqüilidade, por acinte ou por motivo reprovável:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 2 (dois) meses, ou multa.
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