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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

MPN 2009 e o bom gosto do público jovem brasileiro

Só música e críticas sociais por aqui; tá na hora de descontrair um pouco. Então resolvi falar sobre um eventozinho que pouca gente sem TV por assinatura conhece: os Meus Prêmios Nick 2009.



Basicamente uma versão nacional do Kid's Choice Awards, um evento promovido pelo canal de TV fechada Nickelodeon nos EUA, os Meus Prêmios Nick premiam pessoas, brasileiras ou não, que se... destacaram em diferentes categorias escolhidas pelos organizadores. Os indicados são votados por quem não tem o que fazer quiser, no site da Nick, via celular, etc.

A edição desse ano contou com um monte de bandas podres algumas bandas brasileiras, uma italiana e uma venezuelana. Entre elas, o Skank.


Skank tocando "Ainda Gosto Dela". Legal, mas eles têm melhores...

Algumas das categorias tinham vencedores premeditados, pela obviedade do gosto do público jovem que participa dessas coisas. Por exemplo, a categoria Filme do Ano teve como indicados:

Crepúsculo
High School Musical 3: Ano da Formatura
Se Eu Fosse Você 2
Harry Potter e o Enigma do Principe

Algum chute do ganhador? Claro que só podia ser Crepúsculo. O prêmio (um troféu laranja em forma de dirigível com o logo da Nickelodeon chamado Zeppy, analogia ao Zeppelin) foi entregue a Edward Cullen, o porfírico, que (claro) não pôde comparecer ao evento. Ele apenas gravou um tape pra ser exibido na premiação agradecendo o balão.

Olha a cara de tédio do cara ao receber um prêmio a qual ele nem sabia que estava concorrendo

Depoimento dele com o Zeppy na mão: "Olá, Brasil! Eu, Edward Cullen, agradeço em nome de todo o elenco do Crepúsculo por esse maravilhoso *tosse* prêmio que recebemos. Infelizmente não podemos estar aí pra sentir essa magia, toda essa energia que vem de vocês - mas é que a gente tem coisa melhor pra fazer"

Uma das únicas categorias justas foi a de humorista. Marcelo Adnet ganhou - dava pra ser diferente?

Aliás, o Oscar Filho (Pequeno Pônei) concorreu nessa categoria. Ele apresentou uma outra, ao lado da Stefhanny (aquela do CrossFox, do YouTube, lembram?). O CQC concorreu na categoria Programa de TV Favorito, ao lado de Hannah Montana, Pânico e Isa TKM. Por mais absurdo que pareça, a maioria dos 23 milhões de desocupados votantes escolheu pelo programa Pânico. Sinceramente, não vejo qualidade naquilo. Só no MPN pra eles ganharem do CQC mesmo.

Uma das pérolas da noite ficou a cargo de Cláudia Leite, vencedora da categoria Cantor ou Cantora do Ano. Como ela também tinha coisa melhor pra fazer, não compareceu à premiação; apenas recebeu o prêmio. Em vídeo gravado para exibir no programa, ela demonstrou toda a sua falsidade euforia em ganhar um prêmio dessa magnitude ao declarar: "Obrigada, galera da Níquelôdeôm!". Nada contra os [cariocas com alma de] baianos, visse?

Depois de ver o CQC perdendo pro programinha barato da RedeTV!, nada mais me surpreendeu. Nem mesmo o Skank perdendo na categoria Banda Favorita para o NX Zero. Era de se esperar, não?


Show da banda Cine. Rafael Cortéz: "São aqueles meio viadinhos?"

O mais incrível foi a - com o perdão da expressão chula - pagação de pau pro Bob Esponja. Fizeram filminho de homenagem e tudo. É que esse ano ele faz 10 anos. Foi em 1999 que essa esponjinha estranha, que adora contrariar as leis de tudo quanto é ciência, apareceu pela primeira vez na TV. Parece que foi ontem, não?

Agora, adivinhem em que categorias o porífero ganhou. Sim, a de Desenho Animado Favorito é o óbvio. Mas duvido que acertem a outra. Ó, vou dar uma dica:



...Não ajudou muito, né? Ok, eu digo. É a categoria Personalidade do Ano, onde Bob e Obama concorreram juntos. Obama ganhou, mas a secretaria meia-boca da Nick do Brasil não conseguiu falar nem com o faxineiro da Casa Branca É claro que o nosso queridíssimo invertebrado ganhou, de lavada!

Por último, e não menos importante, tivemos um mané o Lucas, da banda Frescno, tomando um banho de Slime - uma gosma verde que eles dizem ter uma receita super-secreta, quem sabe de alcachofra com babosa, hiper nutritiva pra pele e pro cabelo.


AAAHH, lá se vai minha chapinha! ><'

Mas cá pra nós, é só Amoeba.



E diluída em água, que é pra render mais.

Até a próxima!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O resfriamento das relações e a racionalização do amor

Bonito título, não? Parece até tema de dissertação de mestrado. Mas não é. É apenas uma reflexão de alguém que já está cansado de ver isso acontecer.

Algumas vezes na vida ouvi que entregar-se de corpo e alma a um amor, dedicar-se integralmente a ele, é pura besteira; ocupa nosso tempo, nos faz jogar nossa vida fora e não traz benefício algum no fim das contas. De fato; muitas vezes, o relacionamento não dá certo, e acabamos com a sensação de que aqueles momentos que separamos exclusivamente para ele foram em vão. Não devemos, então, nos prender a uma pessoa, e sim sermos livres para ir e fazer o que nos der na telha; afinal, em nada contribuirá para a nossa formação aqueles períodos "inúteis" de nossa vida, não é mesmo?

Ora, mesmo que isso seja verdade, é um conhecimento que não se pode passar de geração para geração. É um conhecimento que deve ser apreendido do convívio, das situações pelo qual passamos ao decorrer dos nossos dias. Não é questão de "cometer os mesmos erros dos meus pais", ou coisa parecida. É questão de ser... um ciclo! Todos nascemos, crescemos, nos relacionamos, nos reproduzimos, envelhecemos e morremos. O que move o homem não são as respostas; são as perguntas. É a sua curiosidade de conhecer, de aprender, de vivenciar. Como pode, então, um adolescente de 17, 18 anos dizer que "já viu tudo, não tem nada mais para aprender, já é maduro o suficiente para dizer, com toda a certeza, que amar é uma bobagem. Que se relacionar não traz benefícios; é puro desejo, é puro capricho de nossos corações."? Isso não existe. É pura soberba, é puro egoísmo, pura vaidade.

O amor não é uma substância que compramos em farmácia e tomamos. Amor não é, tampouco, uma flechinha que nos é atirada por um anjo de fraldas. É um sentimento, e quando eu digo sentimento, quero dizer que não faz parte da racionalidade. Dizem que o amor é cego, mudo e surdo exatamente por isso; ele vai contra todos os dogmas, todos os preconceitos, todas as implicações que um olhar científico imprime. "Amor é pra sentir, não pra entender", já dizia o poeta. Se racionalizarmos o amor, não teremos filhos com aqueles pelo qual realmente temos apreço, e sim com aqueles que nos pareçam mais "aptos a sobreviver", ou que nos pareça "a decisão mais lógica", etc.

Mas mais soberba e vaidade ainda é achar que podemos ser felizes sozinhos. O ser humano não é assim. Essa não é a nossa natureza. Desde pequenos, precisamos de figuras próximas de nós para tudo; seja para nos alimentar, nos dar apoio emocional, educativo, psicológico, compartilhar e discutir ideias e opiniões. Esse papel é feito pela nossa família e pelos nossos amigos. Mas há sempre aqueles com quem nos identificamos mais, que são mais próximos de nós; a esses, chamamos de melhores amigos, pois são eles que estão do nosso lado, entendem como nos sentimos e dão ótimos conselhos para as dificuldades que enfrentamos na vida. E no meio desse grupo, há sempre um que nos cativa mais que os outros. Seja por ele ser mais verdadeiro, ou mais carinhoso, ou mais atencioso, ou mais inteligente, ou mais - por que não? - bonito. Para com esse temos um sentimento ainda mais profundo, criaremos uma relação ainda mais estreita. A isso damos o nome de amor. E é esse valor que está se perdendo hoje em dia, seja pela incredulidade de nossa geração ou mesmo pela falta de interesse nele. O que "tá na onda" hoje em dia é "ficar" - namorar é super careta, bicho.

E isso nos traz à reflexão: o que leva uma pessoa a ter essa visão de mundo? O que leva uma pessoa a não acreditar no amor, ou julgá-lo não essencial para a plena felicidade de si ou de outrem? Uma decepção amorosa muito forte, talvez? Medo de não gostar - ou até mesmo de gostar e sentir-se fraca, impotente diante daquele sentimento que a controla, e não o contrário? São todas divagações que podemos fazer. Mas uma coisa é certa: enquanto essa pessoa não abrir a mente, enquanto ela permanecer sempre no seu mesmo mundinho enclausurado, egoísta e boçal, e enquanto achar que o resto do planeta gira em torno de si e de suas ideias (que, por sinal, julga serem absolutas), ela jamais sentir-se-á satisfeita, feliz e completa.

E tenho dito.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Dire Straits e o bicampeonato de melhor banda inglesa (!)

Atendendo a pedidos do meu queridíssimo amigo Pedro (e por amar a banda também), venho aqui postar um álbum da banda Dire Straits, cujo vocalista, Mark Knopfler, está ali do lado, ó, na minha imagem de exibição ->

Eu realmente não estou com vontade de postar os 6 álbuns da carreira deles, então vou postar uma coletânea que reúne as melhores músicas dos camaradas.

Eu tenho esse DVD, háá!

Formada em 1977 por Mark Knopfler (guitarrista e vocalista), seu irmão mais novo, David Knopfler (guitarra e vocais), John Illsley (baixo e vocais) e Pick Withers (bateria e percussão), a banda recebeu esse nome (numa tradução livre, "em farrapos", ou qualquer coisa sinônima de "estar na bancarrota") por causa da péssima situação financeira dos membros na época. Apesar de ter nascido quando a onda pop e o movimento punk rock (o qual, segundo Dado Dolabella, João Gordo traiu) estavam em ascensão, eles tocam um rock mais setentista - o estilo que todos preferem, é claro.

Tudo começou com uma fita demo que eles levaram para o DJ Charlie Gillett, que tinha um show chamado "Honky Tonk" na Rádio BBC de Londres. A banda só queria conselhos, mas Charlie gostou tanto da música deles que tocou Sultans of Swing (que viria a ser, mais tarde, seu maior hit) no seu show. Dois meses depois, Dire Straits assinou um contrato com a gravadora Phonogram Records.

Sultans of Swing: The Very Best of Dire Straits, lançado em agosto de 1998 (relançado com DVD em 2002), reúne os 16 maiores sucessos de seus 6 álbuns. São eles:

Sultans of Swing, do álbum Dire Straits, de 1978
Lady Writer, do álbum Communiqué, de 1979
Romeo and Juliet, do álbum Making Movies, de 1980
Tunnel of Love, idem
Private Investigations, do álbum Love Over Gold, de 1982
Twisting by the Pool, do EP ExtendedancEPlay, de 1983
Love over Gold, do álbum ao vivo Alchemy: Dire Straits Live, de 1984
So Far Away, do álbum Brothers in Arms, de 1985
Money for Nothing, idem
Brothers in Arms, idem
Walk of Life, idem
Calling Elvis, do álbum On Every Street, de 1991
Heavy Fuel, idem
On Every Street, idem
Your Latest Trick, do álbum ao vivo On The Night, de 1993
Local Hero/Wild Theme, idem

Sendo os coloridos os destaques.

Indiscutivelmente o maior hit da banda, Sultans of Swing possui um estilo que (me enoja dizer isso, mas...) lembra o brega paraense. De fato, o estilo é precursor das porcarias que temos hoje, mas naquela época as coisas eram bem mais trabalhadas. As guitarradas são o forte da banda, e o ritmo marcado pela percussão também é muito bacana. Dançante até.

Mais ou menos no mesmo estilo da anterior, Lady Writer tem uma guitarra bem executada e uns vocais interessantes.

Considerada pelos críticos uma das melhores músicas deles, Romeu and Juliet é mais romântica, como o nome sugere. A guitarra é mais comportada e o ritmo, apesar de um pouco triste, é bastante legal.

Com uma introdução que mais parece daqueles desenhos antigos, que cresce com um teclado e uma guitarra cativantes, Tunnel of Love tem arranjos maravilhosos e um ritmo indiscutivelmente digno de destaque. Pick Withers se superou aqui.

Introdução legal também, So Far Away tem um ritmo pacato e energizante ao mesmo tempo.

Money for Nothing talvez seja uma das mais conhecidas deles, e tem um clipe bem estranhinho. O ritmo é bem legal, marcado com bateria e guitarras bem executadas. Saca só o refrão da música: "É assim que se faz; dinheiro pra nada e putas de graça". Fala da MTV também. Vai ver foi a empolgação de finalmente não ser mais "Dire Straits" de fato.

Super divertida e cativante, Walk of Life é, pra mim, uma das melhores músicas da banda. Ritmo dançante, com guitarras, baixo, bateria e vocais muito bem harmonizados. Quem vê o vídeo da música percebe a felicidade dos membros ao tocá-la. É contagiante.

Heavy Fuel conta com uma introdução mais "bad boy", e tem um ritmo idem. É, eu sou mesmo péssimo em descrever músicas, mas garanto: essa é legal. Só ouvindo pra saber.

Sem dúvida a obra-prima da banda, Your Latest Trick tem uma percussão show de bola e um solo de sax perfeito. Além do ritmo super envolvente, das guitarras bem colocadas, do trabalho maravilhoso do saxofonista Chris White e do teclado excepcional, a música conta ainda com o instrumento predileto do Ben Harper: a Pad Guitar! Do início ao fim, maestral em sua composição.

As outras, apesar de eu não ter dado destaque, são também muito boas. Twisting by the Pool, por exemplo é puro... twist! E Local Hero/Wild Theme é um solo de guitarra maravilhoso performado por Mark Knopfler.

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Escutem, e, se puderem, comprem o DVD. É muito bom, vale MESMO a pena! Só pra terem uma ideia do quanto os caras são bons, eles ganharam o prêmio de melhor banda inglesa DUAS vezes: em 1983 e em 1986. Eu disse INGLESA. Não é pra qualquer um não. Nem o Jethro, né, Pedro?

Até!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Freedom Call e o folk brasileiro

Essa foi rápida, hein? Arrumei um tempinho livre e vim aqui postar mais um álbum da minha banda favorita.


Freedom Call, EP lançado em 1996

Segundo EP (Extended Play; não é grande o suficiente para ser considerado álbum, nem curto o bastante para ser considerado single) da banda, lançado em 1996, conta com apenas 1 música nova (homônima do disco), já que as outras duas já tinham sido lançadas em Reaching Horizons, primeiro EP da banda.

O EP se inicia com a própria Freedom Call, que tem um ritmo que lembra o estilo de Holy Land. É sucedida por Queen of the Night, que tem uma introdução muito interessante com violino e guitarra e um ótimo solo dos nossos amados Kiko e Rafael.

Logo após temos Reaching Horizons, maravilhosa obra composta por Bittencourt, que conta com belíssimos (alô professora Rosa!) arranjos de violão por André Matos. A guitarra aparece como secundária aqui - raríssimo de se ver, hein?

Bem, as faixas seguintes nós já conhecemos. São Stand Away, em uma linda versão orquestrada (as guitarradas foram substituídas por uma orquestra, acreditem!), Deep Blue, em versão reduzida, e...

Hm? Ah, sim... Antes de Deep Blue tem Painkiller... Eu preferia pular esse. Painkiller é de composição da banda Judas Priest, e é puro Heavy Metal. Os arranjos de guitarra até que passam, mas a introdução de bateria é irritante e a vocalização é uma aberração. Horrível, horrível. Não ouçam a não ser que queiram perder tempo e ficar surdos.

Agora vem a parte boa! Três músicas gravadas em um show na França. Aliás, o público metaleiro francês parece gostar bastante de folk. A primeira, Angel's Cry, tem um arranjo um pouco diferente da original, mais leve. Só que eles misturaram elementos - pasmem! - de música latina (uma paraguaia) e portuguesa (foliculi foliculá, foliculi foliculá... lá lá lá, foliculi foliculá!)! São 8 minutos de muita diversão, em especial na parte em que eles fazem um false end e a plateia aplaude - hehe.

Na sequência, vem uma que eu achei bastante interessante. Vejam vocês, Angra é uma banda excepcional exatamente porquê não se prende a um único estilo. Eles adoram misturar metal, que é a base deles, com os mais diversos estilos musicais. Mas tem um único estilo que eles não podem mexer, por ser perfeito demais: a Bossa Nova! E não mexeram mesmo. A música seguinte, Chega de Saudade, de composição de Tom Jobim, não foi alterada em uma nota sequer. Só Luís Mariutti no baixo e André Matos no violão - cantando em português, é claro.

Lembram-se que eu falei da versão de Never Understand? Pois é, ela vem agora. Um pouco mais leve que a original, como Angel's Cry, dessa vez ela é introduzida, além do arranjo original, por uma das mais famosas músicas nordestinas: Asa Branca, do nosso grande mestre Gonzaguinha! E a plateia adorou. Mas é contagiante mesmo.

Conclusão: apesar de contar com apenas uma música nova e ser menor que os outros álbuns, Freedom Call vale muito a pena. Mostra a versatilidade desse ótimo grupo. E como diria Galvão Bueno: é do Brasil-sil-sil!

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Até a próxima com Fireworks!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Angel's Cry (1993) e a errata de um presunçoso

Depois de milênios sem postar aqui, venho cá postar o resto da discografia da melhor banda dos 4 continentes (eu sei que são 5, mas... Europa... Inglaterra... Sabe como é, não dá pra competir): Angra!


Angel's Cry, primeiro álbum da banda

Lançado em 1993, Angel's Cry segue um padrão que se vê em todos os outros álbuns (com exceção de Temple of Shadows e Aurora Consurgens): possui 10 faixas, é iniciada por uma música instrumental que continua diretamente na segunda faixa e tem uma música homônima do disco. Comparado aos próximos trabalhos deles, Angel's Cry não é uma obra-prima, mas é realmente muito bom para um disco de estreia.

Antes de mais nada, gostaria de pedir de joelhos minhas humildes e mortais desculpas a Kiko Loureiro. "Quem é esse?", você pergunta. Exatamente por isso peço desculpas. Loureiro é o parceiro de Rafael Bittencourt desde o início da banda até hoje, e é tão perfeito guitarrista quanto ele. Portanto, no meu post anterior, favor leiam "Bittencourt e Loureiro" onde eu disse apenas "Bittencourt".

Bom, falando do álbum; ele é iniciado por Unfinished Allegro, instrumental, que continua na faixa seguinte, Carry On. Esta, assim como grande parte das músicas do disco, é de um metal um pouco mais pesado do que se viu em Holy Land. Ou seja, somente Power Metal ao invés de Power-Progressive Metal. Mas já se vê que Loureiro e Bittencourt são mesmo músicos de qualidade.

Angel's Cry, homônima do disco, tem um ritmo bem bacana, marcado pela bateria de Alex Holzwarth. "Holz-o-quê? A banda não é brasileira?". Bom, sim. O baterista da banda, que aparece no encarte do CD e tudo o mais, é Ricardo Confessori. Mas na verdade, nesse álbum, quem assume a maior parte das gravações é esse alemão que mencionei. Depois de fazer esse ótimo trabalho com o Angra, ele foi integrar uma bandinha qualquer aí chamada "Rhapsody of Fire". É, rapaz, tá pensando o quê? O nível aqui é profissional!

Alguém aí já jogou Megaman? O X1/X2/X3? Pois é, quem já jogou vai se identificar muito não só com Stand Away, mas com o estilo geral do disco, pois é bem parecido. Vai ver que o Rafael e o Kiko eram músicos da Capcom antes de integrar a banda. Aliás, espere só pra ouvir Freedom Call. Tem uma versão orquestrada maravilhosa dessa música, onde as guitarradas são trocadas por música clássica. Linda, linda.

Ôxi, bixim, cê é nordestino? Então tu vai achar Never Understand a miór faixa desse disco, sem dúvida! Eu, pelo menos, acho. Nortistas e nordestinos são praticamente irmãos, e eu amo a música e a comida dos nossos amigos do sertão. Essa faixa é introduzida por um trechinho bem nordestino, visse? Com violão, mas depois com guitarra, bem ao estilo Angra. Ouve aí e me diz se o solo [que é feito aqui por Dirk Schlächter, Kai Hansen (considerado o fundador do Power Metal) e Sascha Paeth (que depois vai ser produtor de Holy Land!), sendo que este último é quem faz os trechos nordestinos no violão] aos 4:00 não é puro Megaman?! Depois ela fica mais agitadinha e tem uns vocais bem arretados. É paid'égua! Epa, isso é paraense...

A faixa 7, Wuthering Heights, é bastante bonita. Mas ao ouvi-la vocês se perguntarão: "Isso é Angra?". Bom, na verdade, não. Essa música é de uma cantora dos anos 70 chamada Kate Bush. Vi um dia desses o clipe dela na MTV, e posso afirmar que a vocalização do André combina com a original. Bittencourt e Loureiro fazem um trabalho genial aqui, assim como Thomas Nack, baterista convidado para essa música.

Streets of Tomorrow, Evil Warning e Lasting Child fecham o disco, com ótimos trabalhos de todos os membros da banda.
A segunda com ótimos trabalhos de guitarra+bateria e a última com um lindo trabalho nos teclados, violão e vocais de André Matos, que é também seu compositor. Um indício da influência clássica que a banda sofreria nos próximos álbuns, como Holy Land e Rebirth.

Bom, já mencionei o nome de todos, então aqui vai a escalação completa da banda até 1998:

André Matos - Vocais, teclados, violão
Kiko Loureiro - Guitarra
Rafael Bittencourt - Guitarra
Luís Mariutti - Baixo
Ricardo Confessori - Bateria

Links para download: Rapidshare

Bom, sobre a "errata de um presunçoso"... Lembram-se que no post de Holy Land eu disse que André Matos tinha errado na pronúncia da palavra "pushing"? Bom, segundo minha professora de inglês, ele pronunciou corretamente. "Não existe e nunca existiu 'pâshing'", disse ela. Puxa, e eu que aprendi e ouvi a vida toda errado...

Até a próxima com Freedom Call!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A insegurança nas ruas e o Dia dos Namorados

Outro dia desci do ônibus e fui andando em direção à minha casa, passando pelos 3 quarteirões a que estou habituado (faço isso todos os dias). Em uma parada [de ônibus] que fica pelo caminho, cruzei meu olhar com o de um homem, idade entre 30 e 35 anos, que (supostamente) esperava seu transporte naquele momento. Mas o olhar dele não foi um qualquer; era estranho, incisivo, e um tanto quanto espantado. Prossegui meu caminho e percebi, ao olhar algumas vezes para trás, que ele continuava com o olhar fixo em mim. Assim mesmo, sem disfarçar nem nada. Fixo. Vazio. Apressei-me em dobrar a esquina e olhar sorrateiramente para ver se ele me seguia. Não estava mais na parada, o que me fez acreditar que sim. Mil coisas passaram por minha cabeça na hora; entrar no primeiro táxi que aparecesse, sair correndo na direção que não era a da minha casa (já que eu moro num bairro não muito seguro, e ele poderia ter contatos por lá ou me marcar), procurar por um guarda. Mas nada disso me parecia plausível, e resolvi continuar no meu caminho. Olhei mais algumas vezes para trás, em pontos estratégicos da rota, para todas as direções, e nada. Nem sinal do homem. Aliviei-me e rumei para casa.

Apesar do alívio, minha preocupação não passou. Me fez pensar não só não no quanto estamos inseguros, mas no quanto nos sentimos inseguros. Se achamos que não há lugar seguro fora de casa, cada vez mais tenderemos a sair menos, a nos comunicarmos menos e a ter mais preconceito com pessoas que "pareçam" suspeitas. Outro dia fizemos uma redação que era justamente sobre violência urbana, e uma das coisas que eu destaquei foi a inversão de papéis na sociedade brasileira: nós, os chamados "cidadãos de bem", nos escondemos atrás de grades e câmeras, enquanto os criminosos correm soltos pelas ruas. Eu mesmo já fui assaltado na porta de casa. E muito pior do que a sensação real de ser assaltado é essa pressão, esse medo constante, essa sensação de insegurança. Afinal, todos sabem, o terror psicológico é muito pior do que o terror físico.

Mas falando de coisas boas agora (devem ter achado o título bem divergente, não?), gostaria de desejar a todos os casais um feliz Dia dos Namorados! Um dia atrasado, eu sei, mas o que vale é a intenção, não é mesmo? E àqueles que não têm alguém com quem compartilhar esse dia, eu só tenho uma mensagem: espero que seja por opção, que estejam felizes do jeito que estão! Eu sigo a teoria do mestre Jobim, mas quem sabe alguém consiga viver diferentemente!

E àqueles que dizem que "estão muito atarefados e não têm tempo pra isso": eu espero que percebam logo que "isso" não é um empecilho ou tarefa a ser cumprida mecanicamente, e sim uma forma de compartilhar momentos, sejam eles alegres, ruins ou até mesmo de muito trabalho.

Um abraço e até mais!

domingo, 31 de maio de 2009

Angra, Holy Land e o folk-progressive-metal

A música amazonense de Nilson Chaves. O metal progressivo característico da banda. Uma pitada da música clássica de Bach. Esses eram os ingredientes para se fazer um álbum perfeito. Mas André Matos acidentalmente acrescentou um elemento extra na mistura: a vocalização do J-Rock. E assim nasceu Holy Land, segundo álbum da banda brasileira Angra, lançado em 1996 na Alemanha.


Capa frontal do CD, que ao abrir-se revela um mapa do século XVI

A banda, que só canta em inglês, foi formada em 1991 em São Paulo, e segue a linha do metal progressivo, um estilo menos pesado de metal, que combina toda aquela parafernália do rock (guitarra, baixo, bateria) com instrumento mais suaves, pendentes para o clássico, como os de sopro. Holy Land é um álbum conceitual que conta a história do Brasil desde o seu descobrimento, descrevendo por entre suas canções, ora agitadas, ora calmas, a vida no país naqueles séculos. Todas são tão incrivelmente fantásticas que é impossível definir a melhor, e me senti na obrigação de analisá-las uma por uma.

1 - Crossing
Essa na verdade é uma missa de Giovanni Pierluigi da Palestrina, um importante compositor italiano da época da renascença, e representa a 1ª missa realizada em solo brasileiro.

2 - Nothing to Say
Continuação direta da 1ª faixa, nesta música já se percebe a influência de música clássica da banda, com a presença de violinos, além das guitarradas geniais de Rafael Bittencourt. O metal progressivo é marcado pelo ritmo, ditado pelo combo guitarra + baixo + bateria, que ora cresce e ora diminui.

3- Silence and Distance
Com uma suave introdução de piano e flauta que subitamente muda para guitarra e bateria, esta música conta com a vocalização bem característica do metal - aquela que deixa o cantor implorando por um expectorante. Novamente Rafael Bittencourt deixa sua marca, brindando-nos com sua guitarra. Após isso tudo, a música volta novamente para o piano, encerrando-se num tom melancólico.

4 - Carolina IV
Sem dúvida uma das melhores faixas do disco, Carolina IV combina tudo o que a banda misturou pra fazer esse álbum maravilhoso: guitarra, baixo, bateria, flauta e vocalizações auxiliares (em português!). Com grande influência de música brasileira, a música conta inclusive com um trecho puro de música amazonense, acompanhada por um tímido metal, que sabe que não pode competir, mas que logo depois entra em sua melhor forma, incluindo até mesmo piano em sua composição. Nota também para o trabalho do baixista, (músico mais injustiçado de uma banda, por estar sempre no fundo da guitarra e não ser percebido) Luís Mariutti.

5 - Holy Land
A música homônima do álbum é sem dúvida uma obra-prima de André Matos, seu compositor. Combinando piano, guitarra e baixo a flauta, chocalhos e tudo a que os músicos descendentes de índios têm direito, Holy Land nos embala num divertido ritmo folclórico, para então nos jogar nos braços de Bittencourt, de volta à pacata Amazônia, Bittencourt novamente e Amazônia + Bittencourt! Não é maconha, mas é uma viagem.

6 - The Shaman
Com a aura mais negativa do disco, essa música é linda em sua composição maléfica e progressiva, e abre espaço até mesmo para o depoimento de um pajé, falando, como o título sugere, dos rituais "xamânicos" (o termo correto seria "pajelança") praticados por índios brasileiros antes da chegada dos portugueses. Sinistramente linda. Ou lindamente sinistra.

7 - Make Believe
Indiscutivelmente digna de destaque, Make Believe tem a introdução mais linda e envolvente do disco. Com influências da MPB (marcadas pelo uso de outro instrumento de corda que não a guitarra e o baixo), André Matos fez um ótimo trabalho como vocalista aqui. Bittencourt, sem comentários.

8 - Z.I.T.O
Introdução com tambores inusitada; nosso mestre Rafael faz incrível aparição aqui também. A letra, que fala da vida humana in natura ("Mother nature brings to me, in fantastic purity, everything I need"), somada à melodia animada até nos faz perdoar a errata de pronúncia de Matos logo no início da música ("there's something shing back", ao invés de shing back). Pequena referência ao primeiro álbum da banda, Angel's Cry (sobre a qual meu próximo post será), pode ser ouvida aqui. A propósito, guitarradas de Bittencourt >>>² Chimbinha. Mas isso você já sabia.

9 - Deep Blue
A música que dá nome ao blog é a mais marcada pelo classicismo do disco. Órgão e corais de igreja podem ser ouvidos aqui. A própria letra da música (clique aqui) já fala dessa ligação da banda com a renascença europeia. Linda de verdade. Rafael faz uma pequena porém belíssima ponta aqui, para sumir de vez na 10ª (e última) faixa.

10 - Lullaby for Lucifer
Aqueles menos afeiçoados do metal devem ter lido esse título e pensado: "Puta merda, lá vem barulheira". Mas não. Apesar do nome, Lullaby for Lucifer é a música mais serena do disco. Só a título de encerramento mesmo, feita com violão, sons de ambiente e aura melancólica. Uma curiosidade é a pronúncia da palavra "apples" (épples ao invés de êipples), feita por André Matos, que denota seu aprendizado britânico, e não estadounidense, da língua.


Banda de metal, cabelo comprido não podia ser deixado de lado, né, gente?

A conclusão é: o álbum é simplesmente lindo. Vale a pena ser ouvido na íntegra!

Link para download:
4 Shared (Que é o melhor)

Até a próxima com Angel's Cry!